O primeiro encontro com as suas primeiras experiências, por todo o que
teve a oportunidade de ler, esteve cheia de abraços e comida, um pouco dos
últimos fríos em Floripa, a praia de São Francisco em Niterói... Fiquei surpresa
porque niguém de Vocês falou de problemas com o Português… É asssim mesmo, ou é
que esqueçeram daquele tema?
Cada um de Vocês tem falado desde perspectivas diferentes, e porém, acho
que há um detalhe não menor, e por esso mesmo apaixonante: todos, mas todos, em
qualquera das cidades, tem falado do mesmo tema—a segurança, ou da falta
dela—que está diretamente relacionado com a violência e o crime.
A minha proposta para estas semanas, é que, aproveitando a sua grande
vontade e a disposição que todos manifestam para bater papo com a gente e se
comunicar, perguntem, pesquisem e elaborem alguma(s) resposta(s) sobre os orígems
da violência, sobre qual é a história da situaçâo que acresce com os anos e
que, sem dúvidas, pôe muitos limites à vida diária, as coisas que podem ser feitas,
os lugares que podem ser visitados, etc. Tentem descobrir cómo, quándo e porqué
começou e desenvolviu-se essa situação, o qué acha a gente que podería ou
devería ser feito para terminá-la e, baseados nestas opiniãoes diversas,
elaborem uma ou várias hipóteses próprias, com a sua perspectiva pessoal. Acho
que é uma forma simples, para Vocês, de começar fazer uma "diferença"
na experiência que tem escolhido vivir.
Espero as suas respostas com atenção; é sempre fascinante conhecer uma perspectiva
geral das experiências nas aventuras brasileiras de cada um de Vocês…
Liria
Aqui tem minha "mini" pesquisa. Queria fazer uma pesquisa informal incluindo um pouquinho de minha experiência.
Na minha experiência no Brasil existe muito violência em todo lugar. Existe na rua, na família e na escola, mas na área em que me interessa é na família. Trabalhando na Casa das Crianças, um NGO em Florianópolis, é fácil perceber que as crianças no Brasil têm um problema com o comportamento delas. Quando cheguei lá para trabalhar fiquei surpreendida porque havia uma criança lutando com outra quando a professora estava caminhando ao lado da luta, ignorando a situação. Ao outro lado havia outra criança argumentando sobre uma garrafa de água, dizendo que foi roubada. Depois de umas semanas trabalhando lá, percebi que lutas e palavrões são comuns e aceitadas, talvez por causa de ser tão impossível combater.
Senti a desilusão, senti inútil e ignorante porque não sabia como ajudar. Eu nem sabia quais eram as razões que motivavam as crianças comportamento. Por essa razão decidi ler alguns artigos para que pudesse entender por que as crianças acuavam nessa maneira. Minha primeira suposição foi que as crianças provavelmente eram acostumadas com a violência e lutas e por isso, eles sempre usavam a violência. Claudia Leite Moraes Hasselmann diz que "um expressivo número de autores aponta que as principais conseqüências dos maus-tratos na infância ocorram no desenvolvimento infantil nas esferas físicas, social, comportamental, emocional e cognitiva (112)".
Sempre pensava que a família influenciava direitamente as crenças e as idéias dos filhos. Por isso, eu comecei minha pesquisa enfocando nessa idéia da família influenciando o comportamento dos filhos. Acontece que tem pesquisadores que realmente acreditam nesta influência e sustentam que o ambiente da família tem o poder de direitamente influenciar as ações e crenças dos jovens.
Meu primeiro instinto diz que a família tem um grande papel e isso instinto é apoiava por Alfredo Castro Neto. O psiquiatra diz que "a violência da criança... é provocado pelo comportamento imprevisível e violento dos pais que desumaniza a criança e a leva a perder os sentimentos pelos outros" (Cezimbra 3). O comportamento dos pais, ou mais específico o comportamento violento dos pais, influência as ações dos filhos. Se as crianças foram violadas pessoalmente, incluindo fisicamente e psicologicamente, elas mesmas poderiam ser mais influenciadas negativamente do que se eles só presenciassem as batalhas entre os pais deles. Uma pesquisa foi feita que fala sobre as crianças que são abusadas e quais efeitos mostravam.
A pesquisa que foi feita em São Gonçalo onde os pesquisadores selecionaram 500 crianças de toda a rede de ensino pública municipal, incluindo estudantes de 25 escolas, e fizeram entrevistas e questionários para realizar a pesquisa. No final da pesquisa, depois de entrevistar de novo as famílias depois de um ano, os pesquisadores concluíram que 76,5% das mães referem agressão menos intensa e 58,2% informam agressão física severa para disciplinar os filhos deles e também que esta violência na família direitamente incita problemas no relacionamento familiar como brigas com os pais e os irmãos. (Homero).
Em outro artigo, o autor menciona que se os pais disciplinassem aos filhos deles com carinho, os filhos controlaria mais seus sentimentos destrutivos. Quando existe um conflito na casa com os filhos ou entre os pais e o conflito é resolvido sem violência, é mais provável que os filhos consigam resolver problemas sem usar maneiras violentas (Cezimbra). Notando esta pesquisa, é provável que os meninos estejam observando violência e transferindo esta experiência a outras crianças. As crianças na Casa das Crianças talvez estejam super violentas por causa desta influência.
É verdade que este trabalho não seja uma pesquisa grade e suficiente para completamente decidir quais são as razões para o comportamento das crianças na Casa das Crianças, mas é uma razão provável. Reconheço que tem outras razões e outras possibilidades que eu ainda não explorei. Também reconheço que estou supondo que na realidade tem muita violência nas famílias das crianças na Casa das Crianças mesmo. Só falando com as professoras na Casa das Crianças, é uma suposição aceitável. Eu também sei que existem casos da violência em famílias que não usa violência para resolver os conflitos, mas não tenho suficiente tempo ou recursos ainda para pesquisar esse assunto completamente. Ademais esta é uma possibilidade interessante e crível porque agora sinto que exista uma explicação que pode me ajudar entender e sentir por as crianças.
Depois de descobri informação concreta sobre as influencias da violência nas crianças, era mais fácil entender porque as crianças em Casa das Crianças comportavam "mal". É mais fácil para me entender e ser interativa com as crianças agora que eu sei mais sobre a vida delas.
esqueci os fontes:
Cezimbra, Márcia. “Crianças Violentas.” http://sitededicas.uol.com.br/not008.htm 11/99.
Hasselmann, Claudia Leite Moraes. “Conseqüências da violência familiar na saúde da criança e do adolescente: contribuições para a elaboração de propostas de ação.”
www.scielo.br/pdf/csc/v4n1/7134.pdf 02/07
Homero, Vilma. “Pesquisa traça quadro da violência à criança em São Gonçalo.” 07/05/07.
ELISA HERRON-SWEET
Eu já vi centenas de pessoas morrer aqui no Brasil, e muitos mais atos de violência e tortura. Como assim? Porque eu já assisti três filmes famosos: Cidade de Deus, Tropa de Elite e Cidade dos Homens. A violência destaca-se nos filmes brasileiros, e essa passa a ser a imagem geral do país. Nos Estados Unidos, quando eu disse para amigos que eu ia estudar no Rio de Janeiro, eles exclamaram: “Brasil? Rio de Janeiro?! Isso não é super perigoso??” Os brasileiros reconhecem que seu país tem os índices mais altos do mundo em violência urbana, seqüestros, assaltos, roubos, violência no lar e contra mulher. Os três filmes mencionados têm como tema a guerra nas favelas do Rio; seja a guerra entre bandos ou a guerra entre os bandos e a polícia, tudo baseado no tráfico de drogas. A revista Época nomea Tropa de Elite “o filme mais quente do ano” e mostra uma guerra em que os dois lados usam formas extremas de violência; o sucesso do filme que ainda não é lanceado indica “o fascínio que a violência exerce sobre os jovens”.
Violência é evidente na minha vida aqui também: o irmão na casa de Ruby foi assaltado com uma faca em nosso bairro. Meu pai desistiu de levar a família para um jogo na Maracanã por causa da potencial para violência dentro do estádio. Onde eu faço trabalho voluntário em Niterói, são frequentes os incidentes de violência entre as crianças, de idade 6 a 11. Uma das professoras me falou sobre a violência que as crianças experimentam em casa e nas suas favelas; eles ficam acostumados a essa maneira de agir e reagir no dia-a-dia. Parece que a violência torna-se um ciclo vicioso, que vai continuar enquanto a situação social no Brasil continua como é agora.
Na minha leitura sobre a violência no Brasil, um tema repete: violência não é doença social – é sintoma. E as causas são sempre iguais: pobreza, concentração de renda, exclusão social, desigualdade social. Porque essa pobreza e desigualdade geral são tão prominentes no Brasil? Como eu vejo, as condições no Brasil agora são o resultado de uma longa história que começa com uma colonização de exploração e segue com os anos de repressão e escravidão. Meu professor da aula Organização Social e Política do Brasil fala da presencia da violência prevalente na história colonial e imperial: a primeira relação de violência entre os portugueses e os indígenas, a violência em trazer africanos e o tratamento deles (a relação entre senhores e escravos), a violência das guerras com outras forças europeas. Meu professor da história moderna do Brasil continua o tema, com a violência física e simbólica (tortura e censura) do Estado Novo e da ditadura militar. A violência parece uma verdadeira tradição do Brasil.
A violência que surge predominentemente das favelas nas grandes cidades evoluiu na segunda metade do século XX, com a chamada “nova pobreza”. (A informação e os conceitos deste paragráfo vêm da professora Selene Herculano.) A industrialização e urbanização causaram grande migração internal, a maioria sendo camponeses do nordeste chegando nas cidades grandes, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo. Essas pessoas do interior – normalmente pobres e analfabetos – acabam ficando na periferia das cidades, criando as atuais favelas. A pobreza acabou reproduzindo-se dentro das cidades, um conceito que pode ser chamado “metropolização da pobreza”. A marginalidade e exclusão que eles enfrentaram nas favelas criaram uma sub-cultura de agressividade e violência. Depois, o tráfico de drogas entrou nas favelas, um femóneno (tratado nos filmes mencionados) que trouxe violência entre bandos e com a polícia; as drogas também compraram as armas usadas casualmente nas favelas, que fazem as áreas tão perigosas.
Se entendemos a violência como uma sintoma que indica os problemas mais graves da pobreza e das drogas, temos que atacar essas fontes para acercar-se da questão da violência. Na aula “Sociologia do Desenvolvimento no Brasil”, limos o livro “A Segunda Abolição: Um manifesto-proposta para a erradicação da pobreza no Brasil”, escrito pelo acadêmico e político Cristovam Buarque. Ele vê o problema básico do Brasil sendo a pobreza e profunda desigualdade que resulta em exclusão social. A sociedade brasileira, daqui a pouco, vai alcançar uma altura em que a pobreza extrema e seus resultados não sejam aceitáveis mais. Com uma vontade comum, a sociedade vai juntar para inventar uma solução; neste fim, Buarque propôs medidas simples e de base para erradicar a pobreza. Os ricos vão ajudar (e vão ter que sacrificar um pouco do seu luxo) porque eles vão chegar ao conclusão que o fim de pobreza vai elevar sua qualidade de vida – em outras palavras, a elite vai tornar-se cansada da situação. Uma parte dessa situação é a violência, sempre uma ameaça no Brasil – sem essas concentrações de pobreza como as favelas perigosas, a violência vai diminuir a as vidas de todos vão ser normalizadas.
Para Buarque, a prioridade é a educação; tem que começar com as crianças para quebrar o ciclo violento. A base dos seus planos é a Bolsa Escola, que paga famílias para as crianças ficarem na escola. Ele faz uma lista de 28 benefícios da Bolsa Escola, um deles sendo “a redução da violência social”, com a explicação: “Ao pagar uma renda, a Bolsa Escola reduz a parte da violência provocada diretamente pela escassez que sofrem os pobres”. Quase todas as suas “medidas simples” têm como efeito positivo a redução de violência: a poupança escola, construção e equipamento de escolas, incorporação cívica dos jovens, reforma agrária, casa para todos. Pessoas têm que ser educadas e ocupadas ou empregadas (longe das drogas), e o índice de violência e crime vai cair.
As conclusões de Buarque são comuns: na revista Época, li um artigo entitulado “Mais diplomas, menos crimes”, dizendo que pesquisa mostra “investir na escolaridade ajuda a reduzir as estatísticas de violência”. Isso acontece, em parte, porque “no colégio, os alunos são obrigados a seguir regras mínimas de convivência e podem ter mais facilidade de absorver valores de civilidade” (109). Tenho uma professora que expressa sua repugnancia à falta de investimento na educação no país, desde os primeiros tempos da colonização; agora é hora para mudar essa tradição. Com uma vontade da população e um pouco de dinheiro do governo, a situação pode ser melhorada dramaticamente.
Estudantes na minha aula de Ciência Política ofereceram a opinião que uma das razões pelo aumento em violência nos últimos vinte anos pode ser vista na constituição de ’88 e as próprias leis do país, que não distribuem castigo suficiente para desencorajar crime. Então, uma solução deve incluir a força do governo para castigar mais as drogas, as armas, e os crimes. É só que o povo e o governo brasileiro têm que resolver-se a atacar esse problema que afeita profundamente cada pessoa nesse país. Com vontade e ação comum, essa tradição violenta não tem que perpetuar-se.
Fontes:
Palestras dos Professores Jorge Ferreira, Selene Herculano, e Marco Antonio da Rocha; todos da UFF.
Filmes referenciados: Cidade de Deus (Fernando Meirelles 2002), Cidade dos Homens (Paulo Morelli 2007), Tropa de Elite (José Padilha 2007).
Mendonça, Martha e Nelito Fernandes. “Tropa de Elite: Polícia, Drogas, Ação”. Época, No 188, 24 setembro 2007. 92-9.
Azevedo, Solange. “Mais diplomas, menos crimes”. Época, No 188, 24 setembro 2007. 107-9.
Buarque, Cristóvam. A Segunda Abolição: Um manifesto-proposta para a erradicação da pobreza no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (2a ed.)
Dutra, Valvim. “Causas da Violência no Brasil.” http://www.renascebrasil.com.br/f_violencia.htm
Ruby Bolster
Violência no Brasil
Demorei tanto respondendo a esta pergunta porque tem sido muito difícil responder para mim. Isso não é uma questão; isso é A questão. A violência existe no mundo todo, em qualquer país. Porque, então, Brasil é um país particularmente marcado pela violência? O que separa Brasil dos outros paises? Pode-se abordar este tema de vários rumos, mas nunca vou conseguir escrever uma reposta que me satisfeita porque a violência brasileira é tão nítida, tão complicada; não dá para cobrar tudo em uma página ou pouco mais.
Comecei minha pesquisa com uma entrevista com minha mãe brasileira, Euzi. A primeira coisa interessante que ela falou é que precisa-se entender que existe duas realidades ao Brasil. Existe a realidade de Carnaval, de samba, de futebol—todas atividades importantíssimas à cultura que mostram a paixão, a energia e a alegria do povo brasileiro. Não obstante, minha mãe me avisou que a popularidade desta imagem é para o turismo, que a realidade de violência é igualmente existente. Os filmes como Cidade de Deus e Cidade dos Homens, que mostram a vida nas favelas e as guerras entre os traficantes, são representantes de um estilo de vida bem comum no Brasil também.
Ela primeiro esclareceu que sempre teve a violência em Brasil—um sentimento que ecoa as palavras do professor de Elisa, quem falou que a história do Brasil é construída pelas diferentes relações de violência, começando com a colonização e a subversão dos índios. Euzi falou que a violência começa com a desigualdade social. Como aprendemos nas aulas de Selene Herculano, professora da Sociologia do Desenvolvimento do Brasil na UFF, a desigualdade social atual vem em grande parte dos planos de desenvolvimento feitos nas décadas 50 e 60. O esforço governamental a industrializar o pais foi baseado na urbanização das grandes cidades, e a maioria dos migrantes foram camponeses pobres do Nordeste. Sem muito dinheiro, eles construíram choupanas básicas na periferia das cidades, e estas comunidades se tornariam as primeiras favelas. Depois então, a concentração de renda e desigualdade social só tem crescido. Segundo o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, “no Brasil 46,9% da renda nacional concentram-se nas mãos dos 10% mais ricos. Já os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7% da renda”. A pobreza e a exclusão social, que vêm da desigualdade social, tem muito a ver com a violência brasileira.
Neste instante, é importante entender exatamente o que é a pobreza. Segundo Cristovám Buarque, ser pobre “não é só principalmente ganhar pouco” (39). É um estado de não ter. Ser pobre é não ter acesso à educação, garantia da alimentação, atendimento de saúde, uma forma de habitação, proteção de justiça e segurança, etc. Muitas pessoas que entrevistei, inclusive Euzi e um amigo chamado Sandrigo, me falaram que esta última condição de não ter em particular—a proteção de justiça e segurança—é fonte de muito violência no Rio de Janeiro. Segundo Sandrigo, o governo brasileiro rouba o povo brasileiro através do monte de impostos, e o dinheiro coletado nunca chega aos programas de saúde ou educação como o governo promete. Com este descaso das autoridades, falou Euzi, o povo revolta. Existe então a corrupção geral do governo, e só piorou quando o tráfico de drogas entrou nas favelas (especialmente cocaína na década 80).
Como Elisa mencionou, o novo filme Tropa da Elite tem sido um dos filmes mais sensacional e discutido deste ano no Brasil. O filme trata a corrupção da policia e a hipocrisia da classe media/alta usando as drogas que propagam o ciclo vicioso. Um elemento da corrupção é a troca de armas para dinheiro e a troca de dinheiro para continuar o tráfico de drogas nas favelas sem intervenção policial. Outro elemento pode ser visto através dos depoimentos dos moradores da favela Complexo do Alemão. Um falou ao jornalista Marcelo Salles:
Veja bem, o problema aqui não é o bandido [o traficante]. É a policia. Nós, moradores...nós temos medo da policia. Porque a policia entra pra esculachar. O bandido aqui não vai matar a mim ou ao amigo aqui sabendo que a gente mora aqui. Ele jamais vai matar a gente à toa. Agora, a policia, não. A policia não conhece ninguém e quer matar qualquer um (37).
Há dados para provar esta acusação: “para cada grupo de 41 pessoas mortas pelas forças de segurança, morre um policial, media quatro vezes maior que a internacional” (38). É importante entender que a violência do Brasil não vem só das pessoas nas favelas, como muitas pessoas acham, mas também do lado supostamente legal, a policia militar.
Além da corrupção e da policia, a mídia é outro fator que piora a violência brasileiro. A mídia perversa qualquer situação violenta porque estas coisas sensacionalistas geram o dinheiro. Como outro morador do Complexo do Alemão falou, “A mídia ganha quando aqui vira notícia. Então estimula que esse tipo de coisa aconteça...O sistema está ligado diretamente aos meios de comunicação. Todo mundo sabe que esse sistema gera miséria, e divulgam essa miséria de forma negativa” (36). O filme Ônibus 174 também trata a questão da mídia. Este documentário segue o “seqüestro” de um ônibus no Rio, e pode-se ver como a mídia desproporcionou o que estava acontecendo para ficá-lo mais sensacional. A mídia, em uma maneira, encoraja a violência.
Apesar da ampla violência, ainda há muitos lugares que podem ser visitados. Segundo Euzi, as grandes cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza e outras áreas marcadas pela pobreza como Matogrosso são os lugares mais perigosos. Dentro das cidades, os centros e as áreas na periferia das favelas são os mais perigosos. Niterói é mais seguro do que Rio, mas ainda precisa-se ser cauteloso, especialmente à noite e nas ruas abandonadas. Lugares super-turísticas como Copocabana são conhecidos pelo assaltos à toa, então nesses lugares é preciso falar só no português, não levar jóia cara ou destacar em qualquer maneira. Realmente a maioria de lugares podem ser visitados—até algumas das favelas se você for com uma guia com experiência—mas é importante não chamar atenção a si mesmo. Como uma mulher, sempre pretendo caminhar a noite com outras pessoas. É verdade que meu irmão de moradia foi assaltado no meu primeiro mês aqui no Brasil, mas ainda sinto segura nesta cidade.
A questão agora é o que pode ser feito. A resposta à esta questão é recuperar a desigualdade social. Cristóvam Buarque propõe que a educação é a coisa mais importante que pode melhorar esta situação, e até uma educação universitária deve ser possível por qualquer cidadão brasileiro, apesar a questão de renda. Reforma agrária também melhoraria a desigualdade fora das cidades como Rio. Mas só o governo tem o poder de implantar as mudanças precisas nas políticas para realizar estas duas sugestões. Perguntei a minha mãe o que pode ser feito individualmente. A sua resposta foi “respeito e reconhecimento.” Concordo com ela; a ética individual é importantíssima. Tratando bem as outras pessoas melhora as suas chances de ser tratado bem em retorno.
Palestras dos Professores Jorge Ferreira e Selene Herculano; todos da UFF.
Entrevistas com Euzi Martins, Henrique e Deborah Martins, Pedro, Sandrigo.
Filmes referenciados: Cidade de Deus (Fernando Meirelles 2002), Cidade dos Homens (Paulo Morelli 2007), Tropa de Elite (José Padilha 2007); Ônibus 174 (José Padilha 2000).
Buarque, Cristóvam. A Segunda Abolição: Um manifesto-proposta para a erradicação da pobreza no Brasil. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (2a ed.)
Marcelo Salles. “Complexo do Alemão: Entre a perversidade da mídia e a perversidade da polícia.” Em Caros amigos; ano XI número 125; agosto 2007. Pg 34-38.
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Reportagem de Patrícia Zimmermann e Clarice Spitz no Folha Online. 11/1207.
Eu sou de Nova Iorque, uma cidade que tem um preconceito de ser muito perigoso. Eu naci lá, creci lá, peguei o metró cada dia sozinho depois dos treze anos, e nunca foi assaultado. Eu pensei, para ser seguro em qualquer cidade só tem que saber onde ir, e quando é seguro ir para lá. Chegando em Niterói, eu pensei a mesma coisa. Já ouvi que Rio de Janeiro era perigoso, mas eu pensei que eu só tinha que conhecer um pouquinho a cidade e ficaria seguro. Mas no meu tempo aqui eu percebi que algo é diferente, que tem alguma coisa concreta causando a paranoia das pessoas e limitando para onde eles vão. Como chegou a situação com a violência a escalar até que chegou a esse nível tão perigoso? Não só nas estatisticas, mas nas mentes das pessoas? Em pensando na causa dessa violência eu olhei para o passado, e para a situação atual do Rio de Janeiro agora para entender porque existe essa discrepância no nivel de violência.
Desde que cheguei em Rio de Janeiro, a coisa que pessoas tratam com mais cautela é o conceito de violencia. Chegando à casa da minha tia ela e meu tio quase não pararam de falar sobre como eu devia me comportar na rua, sempre com vigilância, olhando para as outras pessoas, se tem pessoas suspeitas, especialmente a noite. E não acabou aí. Minha mãe de moradiá tambem me preveniu sobre assaltos, e ela é jovem, que gosta de sair na cidade a noite; com isso eu comecei a escutar mais. Daí quando comecei a conhecer uns estudantes, eles também estavam muito preocupados com a minha segurança, contando estórias sobres as três vezes que eles foram assaultados em Niterói. E não foram meninas e meninos que foram vitimas desses crimens. Eu decidi pensar no passado do país para dar me uma pista na minha busca de respostas.
O estado do Rio de Janeiro foi a localidade de uma das guerras maiores entre os portugueses e os indios que estavam morando aqui, quase 500 anos atrás. Os portugueses importavam os seus conceitos de violência do occidento para o Brasil. Abusaram os indios e os fizeram escravos, como os outros colonizadores eurpoeus. Mas até o século XX, fora de algumas guerras entre Brasil e uns países na América Latina, não tinha muita violência. Com a proclamação da republica onze anos antes, o Brasil entrou no século vinte com uma política turbulenta. Tinha várias partidos politicos, grupos de socialistas, comunistas, facistas etc... E mesmo que esses grupos chegaram a ter participantes com numeros nos milhões, nem um atacou o outro, e não tinha uma mentalidade no país de perigo como tem agora no Rio. Até a ditadura militar.
A ditadura militar usou jeitos violêntos para manter ordem no estado, e consequciamente, aumentou o nível de violência no estado enteiro. Em 1964, tinha um golpe de estado, o exercito militar derrubou o sistema democrático que existia no país nessa época. O exército usou maneiras muito violentas para exigir obedência. Mesmo assim que não foi tão violento como a ditadura na Argentina (O meu professor de história disse que tinham 30,000 pessoas que foram seqüestrado durante a ditadura no brazil, 189 desapereceram, ou seja, foram mortos. Na Argentina, foi quase 90,000 pessoas seqüestradas, e 30,000 desaparecidas.) a ditadura aqui foi muito cruel. Torturarm muitas pessoas em maneiras violentas, até seus próprios soldados. Uns três soldados que tinha que ficar protegendo os predios como guardas foram pegos fumando maconha. Esses soldados foram torturados em maneiras horríveis, até que foram mortos e deixado sem cabeça. Essa violência no lado do governo propagou respostas violentas do povo também. Mesmo assim que faz tempo que a ditadura terminou, a violência tem continuado.
Hoje em dia, a maioria da violência acontece com pessoas pobres, e a causa é a desigualdade social. Aqui no Brasil, a desigualdade é uma coisa absurda. As classes elítes são uma pequena minioria da população. O salario mínimo é R$300 por mês. Com tresentos reais uma pessoa pode gastar tudo em comida, e não comer o mês enteiro, nem pensando no alugel ou os outros gastos de uma casa. A baixa escolariedade, resultado por a falta de investimento no sistema de escola publica; o custo de um curso para preparar para os exames de entrada na faculadade ou seja os vestibulares é muito alto. Isso tem, como um corolário, desemprego e exclusão social. Os povos sem dinheiro ficam marginalizados, exluindo eles das coisas que outras partes da sociedade tem acesso. Com a situação assim, o conceito de mobiliadade social é muito fraco, pessoas pensam que é as coisas são assim e não vão mudar. Mas sem um grande movimento com tudo mundo não país, eles não estão muito longe da verdade, e isso causa desespero. O desesperado se vira; vários fazem o que puderem, continua ganhando salário mínimo e funcionando dentro do sistema, mas outros começam no mundo do tráfico e na vida de bandido. Aí eles ganham muito mas dinheiro que eles poderiam conseguir em qualquer outro lugar, e ao outro lado muitos morrem como jovens.
A última semana visitaram os pais de uma amiga minha. A mãe dela queria ir para Lapa, um lugar onde tem muitos clubes e bares e onde saíem a maioria dos cariocas no fim de semana. Já sabemos, pelos avisos dos outros, que é muito perigoso chegar na Lapa. A preferência é ir de carro, isso é a maneira mais seguro. Se vai caminhar precisa e lá cedo e ou voltar de taxi ou voltar muito tarde. Lapa é geralmente seguro, mas o caminho para chegar lá é terrivelmente perigoso depois de uma certa hora. Mas nós também iamos numa terça-feira, quando não tem muitas pessoas, fora de bandidos tentando encontrar algum turista para enganhar e roubar. Como era só eu, duas amigas e os pais, resolvemos ir para um restaurante no bairo de São Francisco que é do elite e é mais tranqüilo, porque apesar de cinco ser um grupo sólido, sempre perde contra uma arma.
Nossa sociedade, quer dizer na cultura occidental maior, não é permitido usar a violência para solucionar problemas. A força, quer dizer o uso dele é restringida à uma minoria, a policia. Eles, supostamente, usam a força num jeito certo, justo e só quando é necesario. Violência é e sempre foi, desda época da ditadura e talvez antes, abusado no Brasil. A violência no rio é uma escalação dessa situação, os traficantes com todas as armas deles lutam com uma força perigosa e brava, porque sabem o quê os policias fariam com eles se eles fossem capturados. Os traficantes também, fora de ter mas armas e de melhor qualidade e poder que a policia, as vezes gosta de mostrar o seu poder. Já ouvi falar de excursões de traficantes para shoppings, matando qualquer pessoa que poderiam. Essa demonstração excessivo da força só exige se dar conta de uma coisa: que tem muita violência no Rio de Janeiro, em todos os lados.
Essa violência agora no Rio, é causado pela desigualdade. A violência no Nova Iorque agora é nada como era vinte anos atrás. Nos anos 70 e 80 tinha partes, não só do Bronx e do Brooklyn que eram perigosos, mais muitos lugares em Manhattan cheio de pessoas pobres, drogados e desesperados. Agora que diminuiu o numero de pobres dentro da cidade, também diminuiu paralelamente o nível de perigo. É isso vai acontecer no Rio só quando decidem resolver de jeito verdadeiro, os problemas da sociedade, que aqui no brasil são muitos. Sem isso, a violência nunca vai parar. E as pessoas da classe média que tenham um pouquinho mais de dinheiro e compram as drogas que vendem na favela não podem reclamar enquanto eles continuam impregando os seus asaltantes, suprindo eles com em mercado de venda e roubo.