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12 Noviembre 2007

Garotas e garotos do Brasil.... Adeus...

Acreditan que voces
fizestes progressos com a lingua portuguesa durante sua estancia no Brasil?
Favor de comentar sua opiniao sobre o processo de aprendizagem e uso da lingua
portuguesa. Cual e agora sua relacao com a lingua e com a cultura do Brasil?..

Adeus e abracos

Liria

servido por cuaderno-latinoamericano 7 comentarios compártelo

7 comentarios · Escribe aquí tu comentario

cuaderno-latinoamericano

cuaderno-latinoamericano dijo

Já é, cara, falou? Valeu. Até parece, ninguém merece…

Elisa Herron-Sweet

Gostaria de começar com uma estória que para mim mostra um lado importante da minha aprendizagem da língua portuguesa aqui em Niterói. Nós quatro – eu, Ruby, Roberto, e Ashley – temos uma aula todos juntos, Sociologia do Desenvolvimento no Brasil. Umas semanas atrás, a gente teve uma prova super difícil e preparou muito. Depois de aprender sobre vários conceitos e teorias, ler um monte de textos, memorizar listas e nomes, etc, para a prova, chegamos na hora e a professora anunciou que nós quatro poderiamos escrever a prova em inglês! (Isso já aconteceu em outra aula – acho que os professores gostam de mostrar que sabem inglês.) Claro que desistimos imediatamente pelas razões óbvias, mas fiquei pensando no assunto enquanto escrevi minhas respostas. Dei conta de que eu não sabia as traduções direitas ou corretas para todas as palavras e conceitos que estava usando em português com facilidade; essa prova feita em inglês seria virtualmente impossível no momento! Foi muito interessante a percepção de entender uma coisa em português e não inglês; percebi que estou criando uma esfera na mente em que só existe português.
Além desse incidente interessante, tive outras aventuras com a língua portuguesa este semestre. Quando estávamos conhecendo novas pessoas, começamos a falar muito sobre palavras de gíria, palavrões, e palavras sexuais (claro). Nessas conversas de troca português/inglês, chegamos a alguns termos em inglês que nos deixou sem palavras em português. Quando tentamos explicar vários conceitos que têm palavras bem usadas nos Estados Unidos, descobrimos que a falta de vocabulário indica uma falta deste conceito social na cultura. Por exemplo, “sketchy”, para referir a uma pessoa ou situação, não tem tradução e nem o conceito existe. Entender que não existe é muito importante para entender a sociedade porque pode explicar o comportamento de algumas pessoas que seria inaceitável nos Estados Unidos. “Random” e “awkward” são outros exemplos, no sentido que adolescentes usam nos Estados Unidos, que não dá para explicar em português para um brasileiro.
Outro assunto acho de interesse que faz parte da língua e a cultura. Usam muitos mais gestos aqui do que nos EUA, frequentemente usados como substituto para palavras. Por exemplo, existem gestos comuns para indicar cheio ou lotado; para indicar muito tempo atrás, no passado; para indicar uma falta de importância, ou seja, “whatever”; para indicar gostoso, com referência a comida; para indicar “tudo bem”; para indicar dinheiro ou uma coisa cara. Sabendo o uso correto desses gestos é de alta importância, como um tipo de vocabulário que só existe dentro da sociedade brasileira.
Tenho várias formas da língua para utilizar. Existe a fala na sala de aula, acadêmica e a mais fácil. Tem a fala de capoeira, palavras e termos que nem têm tradução, só sentido para os que são parte do grupo; é uma língua que entendo bem (mesmo se não faço a capoeira mesmo muito bem). Existe a fala na rua, nos bares, informal e leve, cheia de gíria e expressões, confusão. Também tenho que usar a fala de crianças, com sua própria gíria e piadas e expressões. São essas e mais as minhas categorias da língua; tenho encontros com cada uma que sempre me deixa enriquecida de uma maneira ou outra.
Claro que aprendi muito aqui, mas minha relação com a língua é ainda uma de uma estrangeira, uma gringa. Brasileiros ficaram impressionados com meu português mas raramente acham que sou brasileira, e quase nunca carioca (não ajuda que sou super branca e loura). A fala é tão musical, o sotaque carioca tão forte; atingir esse nível da língua vai requer muito mais tempo aqui.
Sempre ouvi falar que você realmente sabe uma língua quando começa a sonhar na língua. Bem, nunca lembro meus sonhos, mas outro fenômeno interessante começou há mais de um mês – estou lembrando minhas memórias em português. Memórias que aconteceram em inglês, eu automaticamente traduço na mente e lembro como se fosse português. Até conversas com minha família e amigos que não sabem nem uma palavra de português, aparentemente eu tive todos os meus momentos com eles em português. Tenho que fazer um esforço mental para mudar a memória para o seu jeito correto, em inglês. Mas fico com orgulho que minha mente está programada para português agora, parece que eu já avancei bastante nessa língua bonita.

22 Noviembre 2007 | 03:39 AM

rbolster

rbolster dijo

Ruby Bolster

Ai, português. Como eu o amo e o odeio ao mesmo tempo. Nada na minha vida tem me frustrado mais do que aquelas conversas aqui no Brasil em que não consigo explicar o que quero dizer por causa da barreira de língua. Cheguei no Brasil sem muita confiança no meu português: não falei nada de português em mais de três meses. Esqueci muito das regras gramaticais e até mais do vocabulário, inclusive vocabulário bem básico. Lembro no aeroporto do Rio meu primeiro dia, perguntei para um homem onde eu podia encontrar um táxi. Ele falava muito rápido, e eu não consegui lembrar como dizer “mais devagar, por favor” então eu disse “por favor, menos rápido!!” Ele riu e riu. Realmente, eu entendi pouco minhas primeiras semanas aqui: estava acostumada ao português na sala de aula em Middlebury, onde pessoas não falam rápido, não usam gíria e usualmente não têm sotaques fortes. Mas tudo isso não quer dizer que minha experiência com o português tem sido negativa. É só o português falado tem sido meu maior desafio aqui, muito mais do que saudades da minha casa e meus amigos.

Seria impossível não ter avançado na língua em três meses, mas não percebi tanto progresso que tenho feito até a semana passada. Minha família americana está me visitando agora e um dia minha mãe brasileira, Euzi, a convidou para tomar cafezinho. Ninguém na família fala uma palavra de português, e Euzi fala pouco inglês. Aí quando estava traduzindo alguma coisa da minha mãe brasileira para minha mãe americana, lembrei que não entendia nada que Euzi dizia quando cheguei. O fato que agora eu entendo quase tudo que sai da sua boca demonstra meu grande progresso no português. Tem sido boa morar com uma mulher que fala muito e rapidíssimo: se eu entender Euzi, conseguirá entender quase qualquer pessoa.

Um aspeto da língua portuguesa que eu acho interessante é que há uma grande divisão entre a língua profissional e educativa e a língua “comum” falada nas ruas e entre amigos. O português coloquial não respeita muito as regras de gramática (por exemplo, ouço ‘espero que tu tá bem’ em vez de ‘espero que você esteja bem’) e está cheia de gíria. As pessoas curtam as palavras—está é tá, estou é tô, obrigada é ‘brigada, você é se, etc. Claro, isso acontece em outras línguas também, inclusive inglês, mas é tão notável no português que ele é outro grande desafio na aprendizagem da língua. As vezes eu sinto que estou aprendendo dois tipos de português—um português formal e um português mais coloquial.

Falando da gíria, a gíria de uma região forma uma parte importante da cultura da região. Por exemplo, estou me acostumando a dizer “já é” para indicar que concordância com planos; “já era” para indicar alguma coisa já passou; “valeu” e “falou” para dizer “obrigada” “tá bom” e um monte de outras significados. Recentemente eu viajei com minha família, os outros niteroienses, e uma amiga de São Paulo. Num instante Roberto disse “já é” e a paulista exclamou, “ai no! Se fala como uma carioca! Diz ‘meu irmão’ também? Odeio como a carioca fala!” A rivalidade entre paulistas e cariocas existe até na língua. O sotaque carioca arrasta o “s” nas palavras (‘dois’ é ‘doisssshhh’), um som único que paulistas como Marcella não suportam. A gíria e o sotaque são importantes na criação de identidade. Os cariocas são orgulhosos de ser do Rio de Janeira, e a maneira que falam é uma parte importante de ser carioca. Num país tão misturado, as vezes a maneira de falar é mais indicativo de onde a pessoa vem do que a aparência física. Também, os brasileiros criticam o português do Portugal, dizendo que é muito pesado e feio, e se identificam pela diferencia das duas formas de português.

Apesar de ser um desafio constante, acho português uma língua encantadora. Tem um aspeto musical e fluido que reflete a energia e amor da vida que os brasileiros possuem. Acho que se Brasil tivesse tido colonizado pelos espanholas, teria desenvolvido num pais completamente diferente, em parte porque a língua dá forma a muito da cultura. Um dia eu adoraria poder a me chamar fluente no português. Ainda tenho muito para aprender; vou precisar de muito mais tempo para desenvolver um sotaque natural e ficar confortável com todas os tempos verbais e com uma vocabulário mais ampliada. Ainda sou uma gringa, e um semestre só não é tempo suficiente para mudar esta relação com a língua, mas eu sei que isso não vai ser minha ultima experiência no Brasil.

26 Noviembre 2007 | 03:26 PM

rbolster

rbolster dijo

Para responder à Elisa mas também para Roberto, Jennifer, as outras pessoas lendo este comentário:

Acho interessante que nós dos falaram que ainda somos gringas a respeito da relação com a língua portuguesa, que usamos basicamente as mesmas palavras sem ler o comentário da outra pessoa primeiro (ou, pelo menos, eu não li o seu antes de escrever o meu). Você acha uma meta realistica mudar esta relação? Podemos ganhar fluëncia e um sotaque mais natural depois de um tempo (ou será um tempão para mim...), mas é só isso que cria uma relação não-gringa/natural?

Outro aspeto da aprendizagem de português que acho interessante é que todo mundo sabia falar uma outra lingua depois de estudar o português e chegar aqui no Brasil. Roberto crescia falando português com os seus pais, Ashley passou o ano passado na Argentina e é fluente em espanhol...estou interessada saber/discutir mais como isso afetava nossas experiências com a língua, porque pela maioria de nós, português não foi a pirmeira língua que estudávamos.

10 Diciembre 2007 | 07:51 PM

jennilee brenes

jennilee brenes dijo

Minha capacidade com a língua portuguesa tem evolida. Quando cheguei ao Brasil em Junho, fazia 2 mêses em que eu falei português por causa de ser verão. Eu sou porto-riquenho e minha cidade esta cheia de porto-riquenho e dominicanos que só falam espanhol então cheguei no Brasil falando “portanhol”...mas nem foi uma boa portanhol.

Nesta época eu tinha muito medo das minhas habilidades de comunicar em português. Na realidade eu sempre tinha esse medo mas chegando ao Brasil sozinha sem ninguém com que eu pudesse quebrar o “language pledge” fui mas assustada com a minha capacidade. Mas depois de lutar como as palavras com minha família brasileira no começo, eu decidi que eu realmente precisava superar este medo porque nunca iria sobreviver em casa, na rua ou na universidade sem puder comunicar com ninguém.

Daí, eu comeci a ler livros em português. Os livros eram para crianças e não muitos educativos mas eu adorei porque foram fácis ler e ao mesmo tempo em que estava “divertindo” eu estava aprendendo a língua e construindo a confiança necessária para meu tempo no Brasil.

Então, superando este medo foi uma grande razão que me facilitou aprender e progredir na língua. Eu acho que eu tinha muito da gramática e do vocabulário na minha mente mas convertindo este conhecimento em prática foi mais difícil até que eu decidi parar com sendo boba!

Agora eu posso comunicar e conversar com brasileiros sem parar na conversa. Eu acho que foi as aulas, as conversas difíceis e sendo sozinha aqui em Floripa que também me ajudaram. O fato de que as aulas são em português e que preciasmos ler muitos artigos que são difíceis para os brasileiros mesmo me ajudaram melhorar a minha fluência. Também eu nunca podia falar em inglés se algo fosse difícil explicar em português. Não tinha essa possibilidade porque não havia muito gente que falavam em inglés!

Para concluir, eu vou dizer que eu posso fala em português, mas os brasileiros descobrem inmediatamente que eu sou estrangeira quando eu fala com eles. Eu não tenho o acento brasileiro então mesmo que eu falasse tudo correta, eles ainda soubessem a diferência. Eu acho isso engraçado porque eles sempre fiquem sopreendida porque eu “pareço brasileira”. Eu não estou tão obviamente estrangeira quanto os americanos brancos quando os brasileiros me vêem na rua mas quando eles falassem comigo, eles soubessem que não sou brasileira mesmo.

12 Diciembre 2007 | 01:37 PM

Roberto Ellis

Roberto Ellis dijo

Minha relação com a lingua portuguesa é mas complexo do que é o normal, se tiver um “normal.” Eu sou brasileiro, quer dizer, minha mãe é, e eu tinha connexões com a lingua desde criança. A maior parte do tempo eu falava portugûes em casa, que apesar de me ajudar com a pronunciação, me deixou com um vocabulário de certa forma limitado. Durante os anos da minha infância eu viajei varias vezes para o Brasil para visitar parentes durante férias. Essas viagens me ajudou muito mais que eu sabia, porque eu aprendi cada vez mais girias novas e usei meu português em um sentido mais para bater papo. Usando meu português assim foi o que mais me ajudou com a expansão do meu vocabulário e com a fluência. Mas mesmo assim, meu português veio e foi em ondas, eu aprendi muito em uma semana ou duas que eu passei aqui com meus primos e voltei falando bem. E daí desapareceu quase tudo, até a proxima vez. Mas agora é muito diferente.
Chegando aqui, com um o segundo ano de português completo, eu tinha muito mais facilidade com a lingua. E eu já tinha uma vantajem que a maior parte dos outros estudantes não tinham. Meu pai é do panama e ele é muito escuro, e apesar da minha ser do Brasil, ela não segue a imagem esterótipica de uma brasileira. Ela é do sul e é muito branca. O resultado é que, todo mundo disse que eu tenho cara de brasileiro. A maioria das pessoas aqui fazem o assunto que eu sou brasileiro, quando sou apresentado para eles. A minha cara, em combinação com uma boa falta de sutake americano resultado pelas conversas com meus primos me ajuda integrar com o povo. E dura cada vez mais tempo para as pessoas chegeram a questionar se eu sou americano, finalmente tendo ouvido umas coisas bem extranhos e não coloquiais eles reparam que sou diferente. Mas mesmo assim eles me acham brasileiro, só de um outro estado em que nos não estamos e que eles não conhecem.
Isso me deixa com uma sensação de orgulho. Eu viajei para o Brasil, para me reconnectar com uma parte da minha cultura, de que eu creci longe nos estados unidos, e eu fico feliz quando eu me integro bem. Eu acho que eu fiz progresso com a lingua portuguesa porque eu noto coisas que não são tão dificeis agora, como foram no começo. Como escrevendo emails em português, no começo do semestre eu teria que checar o email varias vezes antes de o mandar. Agora me sinto mais comfortável escrevendo e falando em geral.
Um problema interessante era falar com estudantes. Em geral, uma pessoa aprende muito mais falando com estudantes, porque é com eles que você conversa sobres seus intereses, e são essas coisas que te força pensar muito mais em português. Mas, no outro lado, eles também dizem que eles mesmo estam falando errado, e da para notar. Apesar de não usar as formas que estudamos na escola, as vezes eles usam a segunda pessoa singular com conjugação na terceira pessoa, como na frase, “como tu ta?” Assim fica bem mais dificil aprender falar bem, mas o que ajuda muito é o trablaho academico que fazemos. Isso deixa nos achar um equilibrio na lingua portuguesa que se espalha para todas as nossas esperiências aqui.

25 Diciembre 2007 | 08:50 PM

jennilee brenes

jennilee brenes dijo

Em Ruby's comentário sobre a língua portuguesa ela falou que, "Acho interessante que nós dos falaram que ainda somos gringas a respeito da relação com a língua portuguesa, que usamos basicamente as mesmas palavras sem ler o comentário da outra pessoa primeiro (ou, pelo menos, eu não li o seu antes de escrever o meu). Você acha uma meta realística mudar esta relação?" Eu acho que não e realista sem muito tempo morando no Brasil. Eu acho que tem a possibilidade de adotar a gíria e o sotaque mas vai durar muito tempo para mudar a ser uma realidade. Vai ser difícil também porque durante a infância os brasileiros tinham a oportunidade de adoptar a língua e a maioria de nos só falamos português por 2 anos e pouco então não e realístico aprender como falar sobre os brasileiros mesmo...e também vale notar que muitos brasileiros cometem erros na gramática ou no vocabulário quando eles falam e eu acho vai ser muito difícil cometer erros de propósito especialmente porque sabemos como falar correctamente depois de estudar por anos.

As vezes tem brasileiros que não percebem que estou americana no começo da conversa quando estou falando bem e com fluência, mas eles ficam sabendo quando nos falamos sobre assuntos diferentes que eu nunca falei. Então eu acho que esta situação vai existir por muito tempo ate que nos realmente nos submijamos na língua e temos conversas diversas.

30 Diciembre 2007 | 06:21 PM

Karola braga

Karola braga dijo

Muito interessante seu blog.
Dei muitas risadas e me identifiquei muito com voce!
Estou nos USA, fazendo um Intercambio...

Gostaria de conversar mais com vc.

me mande um email.

braga.carolina@hotmail.com

looking forward to hear you!!!

XOXO

26 Julio 2008 | 02:37 AM

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